A liderança feminina é a tendência mundial

Mulheres na liderança é a tendência global
 
Um dos grandes desafios de hoje das mulheres é ampliar e afirmar o seu espaço no mercado de trabalho, mas garantindo também mais igualdade de salários em relação aos homens e uma conjugação das tarefas escolares e familiares.
 
Estes desafios estão colocados principalmente às mulheres na liderança, cujo percentual tem vindo a crescer em todo o mundo.
 
Segundo o trabalho
Women in Business 2022, da consultora britânica Grant Thornton, 83% dos 29 países que participaram no trabalho superam a média global de cargos de liderança e gestão ocupados por mulheres nas empresas e organizações.
 
Em 2022, esta média global alcançou 31%, subindo apenas 2% a mais que a do relatório de 2020, quando a média global era de 29% e foi ultrapassada por 55% dos países.

 

Educação como base da mudança
 
Segundo o Instituto Nacional de Estatística - INE, a maioria da população portuguesa é feminina, sendo 112 mulheres para cada 100 homens e, o nível médio de educação é mais elevado entre as mulheres, tendo 36,5% completado o ensino superior contra 25% de homens.
 
As mulheres ainda correspondem a 50% da força do trabalho em Portugal.
 
Estes números comprovam os dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que realça que as mulheres têm 15,8 anos esperados de escolaridade e a média de 8,1 anos de estudo, enquanto os homens possuem respetivamente 15 e 7,6 anos.
 
Apesar do número de mulheres na liderança de empresas e equipas estarem a crescer, muitas barreiras ainda precisam de ser vencidas.
 
 

Os desafios
 
Os desafios da liderança feminina podem ser divididos em dois grupos:

1. Desafios estruturais, que são aqueles relacionados com a estrutura das organizações, que muitas vezes são baseadas em valores e padrões masculinos:
  • Sexismo: as mulheres ainda são sub-representadas em cargos de liderança, e muitas vezes enfrentam preconceitos e discriminação.
  • Dúvidas sobre a competência: frequentemente, as mulheres na liderança têm sua competência posta em causa ou, então, precisam de provar que são tão capazes quanto os homens.
  • Falta de apoio: as mulheres líderes podem ter dificuldade em encontrar modelos e mentores, e podem sentirem-se isoladas nos seus cargos.
 
2. Desafios pessoais estão relacionados com a vida pessoal e profissional das mulheres, que podem dificultar o exercício da liderança. Estes desafios incluem:
  • Conciliar vida pessoal e profissional: estas líderes costumam ter responsabilidades familiares e domésticas que podem dificultar o seu trabalho.
  • Saúde mental: As líderes podem estar mais sujeitas a stress, ansiedade e Síndrome de Burnout.
 
"É essencial que as empresas se tornem mais igualitárias". É um requisito para serem atrativas tanto para os clientes como para os colaboradores.
A igualdade de género é algo a que nós, enquanto líderes, devemos dar prioridade todos os dias, em todas as decisões que tomamos."


Anna Johnson, Directora-Geral da Grant Thornton Suécia.
 
 

Características que determinam a liderança feminina

A liderança feminina é caracterizada por várias qualidades distintas que a diferenciam. Estas características incluem uma orientação voltada para as pessoas, o que se traduz em sociabilidade, expressividade e na habilidade de construir relações próximas.
 
Este foco nas pessoas fortalece a capacidade de cumprir compromissos, seja relacionado com os objetivos da empresa ou a projetos específicos.
 
As mulheres na liderança tendem a promover a cooperação, tornando realidade o trabalho em equipa. Elas incluem ativamente as pessoas e garantem que os procedimentos sejam seguidos de maneira organizada e precisa.
 
A capacidade inata de pensar e agir em várias direções simultaneamente é uma vantagem crucial ao tomar decisões e enfrentar crises.
 
Esta liderança também é conhecida por ser mais horizontal, valoriza a participação e a partilha de informação e de poder com os membros de sua equipa. Este estilo tende a fortalecer a coesão do grupo e a fomentar identidades coletivas.
 
As líderes femininas são frequentemente elogiadas por sua ênfase nas emoções e na consideração do aspeto "humano" das pessoas. Elas demonstram altos níveis de empatia, o que contribui para um ambiente de trabalho mais harmonioso.
 
Diferentes
estudos sinalizam que quando as mulheres assumem cargos de liderança, algumas de suas características únicas se intensificam. Características que, podem não ter sido tão evidentes nos seus comportamentos anteriores, se tornam-se mais proeminentes.
 
As mulheres têm capacidade de julgamento rápido e precisão na tomada de decisões. Quando as mulheres têm a oportunidade de liderar, elas encaram isso como um desafio e dedicam-se completamente ao projeto em questão.
 
 

O Cenário dos Recursos Humanos em Portugal
 
Um estudo de RH da consultoria Factorial apontou que grande parte dos profissionais a trabalhar nos cargos de Recursos Humanos em Portugal são mulheres.
 
Por sua vez, são os homens que recebem os melhores salários. Esta diferença salarial já tem muita discussão e, apesar de ser muito menor que em tempos passados, precisa ser abolida, independente do tamanho da empresa.
 
 

Estratégias para Promover a Igualdade de Género nas Empresas
 
A igualdade de género no trabalho é uma prioridade para qualquer empresa. Mesmo com a ampla participação feminina no mercado de trabalho, as mulheres ainda enfrentam a discriminação e dificuldades em manterem os seus empregos.
 
Nomeadamente em cargos de topo, a dificuldade de acesso a estes postos por mulheres é muitas vezes travada pelo facto de ser mulher.
 
Por isto, deixo algumas sugestões que permitem promover a igualdade de género:

   Paridade Salarial: garantir salários iguais para trabalhos iguais, independente de quem os executa, homem ou mulher.
   Recrutamento e seleção: possibilitar que as pessoas se candidatem sem indicar o seu género. Esta é uma mudança no mindset dos recrutadores e gestores, que possibilita reduzir o preconceito de género no recrutamento.
   Programa de Mulheres na Liderança: criação de um programa ou sistema de quotas para a formação de liderança feminina.
   Flexibilidade: para todos os colaboradores da empresa, em especial às mães, para conseguirem conciliar melhor a vida pessoal com a profissional.
   Plano de Igualdade: apenas em 2017 entrou em vigor a lei que exige representação equilibrada entre os géneros.
 
 

Superando desafios para um futuro igualitário
 
A consolidação das mulheres na liderança e no mercado de trabalho traz consigo obstáculos que ainda precisam de ser superados, como a dificuldade de conciliar a carreira com a casa e a família.
 
Muitas profissionais queixam-se de ter jornada dupla, com uma sobrecarga maior de trabalho em relação aos homens, pois além de cumprir as jornadas e funções no trabalho, ainda precisam de cuidar da casa e dos filhos – e várias acabam por ter de escolher qual o caminho a seguir para preservar a sua qualidade de vida.
 
As empresas precisam de entender a diversidade para que as pessoas possam estar bem, e continuar a produzir e a criar uma sociedade mais igualitária.
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