Gerir uma empresa sem analisar

Profissionais e empresas fazem análise de dados?

Em 2020, o supercampeão de Fórmula 1, Lewis Hamilton ultrapassou todos os recordes da modalidade. Para os fãs do desporto, é inacreditável ver o piloto a gerir dados de dentro do carro e a mudar a aerodinâmica, a tração e, muitas vezes, a própria história da corrida.

Isto faz-me lembrar, e os amantes das corridas também se lembrarão, de outro grande corredor, o tricampeão Alain Prost que, em 1986, teve que empurrar o carro para ultrapassar a linha de chegada.

Acreditem caros leitores, uma pane seca na última volta do GP da Alemanha, de 1986, fez Alain Prost, o Professor,  viver alguns dos momentos mais inusitados da F1. Pane seca é na verdade falta de combustível, ou seja, um carro de milhões de dólares, precisou de ser empurrado porque acabou a gasolina!



Tire da cabeça e coloque no papel
 
E, porque razão, estou a falar de falta de combustível?
 
Na verdade, estou a destacar a importância de duas palavras que citei logo no início: gerir dados. Essas duas palavras, que remetem à gestão minuciosa, podem ser determinantes para a vida longa ou o fim prematuro de um empreendimento.
 
E, não importa o tamanho deste empreendimento, se é uma empresa multinacional ou um negócio local, a importância de gerir, com base na análise de dados, é a mesma.
 
Muitos empreendedores e gestores alegam que "está tudo aqui, na minha cabeça", quando são questionados sobre as análises, outros dizem que "em breve vou fazer novos planos".
 
Convido os leitores a acompanharem-me neste raciocínio: Quero fazer uma viagem de Lisboa até Melgaço, para provar a tradicional e deliciosa broa castreja. Até aqui, uma ótima escolha! Mas, o que preciso fazer para chegar lá?
 
Planear, é claro! Se vou de automóvel, qual o trajeto que devo fazer? E ainda, quanto combustível deverei colocar no depósito para chegar ao destino? Farei paragens durante o trajeto? Se sim, por quantas vezes e onde vou fazê-las?
 
Se resolvo viajar de autocarro, quais são os horários? Vou fazer ligações? Quanto tempo estarei a viajar desta forma?
 
Perceberam a necessidade de planeamento? Se para uma simples viagem, de menos de 4 horas de duração, necessito de gerir dados e responder a tantas questões, imagine numa empresa que, por menor que seja, tem produtos ou serviços a oferecer, clientes e fornecedores a atender, contas a pagar e, principalmente, um futuro a zelar, para expandir e prosperar.
 
 

Gerir é ter métricas
 
Em 1950, William Edwards Deming (EUA, 1900-1993), estatístico, professor catedrático, escritor, palestrante, consultor e um dos principais nomes da Administração do século XX, disse a seguinte frase:  “
Não se gere o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende, e não há sucesso no que não se gere”.
 
A utilização de métricas, parâmetros e indicadores oferecem aos gestores as possibilidades de  avaliar os resultados, seja de um setor da empresa ou de um ano completo, de forma assertiva, com números reais, sem informações incompletas ou números imaginados.
 
A análise correta das métricas possibilitará, entre outros fatores, a monitorização dos resultados, traçar objetivos e metas realistas, comparar períodos e situações e, principalmente criar planos de melhoria e de crescimento para a empresa.
 
Assim, como um piloto à frente de um grande avião, o gestor precisa de um "plano de voo" e, com ele em mãos, gerir dados e rotas e todos os mínimos detalhes, inclusive o combustível.

Lembramos que, em 2018, o avião que transportava toda a equipa brasileira da Associação Chapecoense de Futebol, que disputaria em Medellín, Colômbia,  a decisão da Copa Sul-Americana contra o Club Atlético Nacional, daquele país, causou uma enorme tragédia, justamente por falta de combustível.

Como vimos, não importa o tamanho do meio de transporte, avião, carro, autocarro ou um Fórmula 1, assim como não importa se a empresa é uma multinacional ou uma empresa que atende somente uma zona geográfica; todas devem ter um planeamento baseado em dados.

É por meio dos dados que "acidentes de percurso" são evitados, surgem novas estratégias, ideias criativas ocorrem com maior frequência e decisões assertivas são tomadas e, um tricampeão, como Alain Prost, The Teacher, não precisará de empurrar o seu carro.

Uma última frase de
William Edwards Deming para reflexão :
"It is not enough to do your best; you must know what to do, and then do your best"
(Não basta dar o melhor de si; você deve saber o que fazer, e depois dar o melhor de si).
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